Módulo 2: Ascética e Mística 2 | Sua importância para a Teologia III

4. As Fontes da Teologia Ascética e Mística


As ciências espirituais são partes integrantes da Teologia fundamental e dogmática; é evidente, portanto, que as suas fontes são as mesmas. São estas, antes de tudo, aquelas que contêm ou interpretam o Depósito da Revelação: Sagradas Escrituras e a Tradição, discernidas segundo o Magistério perene; depois, temos fontes secundárias, com todos os conhecimentos que nos vêm da razão iluminada pela Fé e pela experiência adquirida pelos Santos.

Nas Sagradas Escrituras não encontramos síntese alguma da doutrina espiritual, senão riquíssimos ensinamentos em registros dispersos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, seja sob a forma de doutrinas, orações, conselhos, preceitos, ou exemplos.

• Doutrinas especulativas sobre Deus, sua natureza, seus atributos, sua imensidade que a tudo penetra, sua infinita sabedoria, sua bondade, sua justiça, sua misericórdia, sua ação providencial a qual exerce sobre todas as criaturas, mas principalmente sobre os homens, para os salvar; sua Vida divina, a geração misteriosa da Eterna Sabedoria ou do Verbo, a processão do Espírito Santo, laço mútuo do Pai e do Filho; suas obras: em particular o que Ele fez pelo homem, para lhe comunicar uma participação de sua Vida para a restauração depois da Queda, pela Encarnação do Verbo e pela Redenção, para o santificar pelos Sacramentos, para lhe preparar, enfim, no Céu, as alegrias eternas da visão beatífica e do Amor puríssimo.

É evidente que uma doutrina tão nobre e tão elevada, serve de poderoso estímulo para aumentar em nós o amor por Deus e o desejo pela perfeição.

• Uma doutrina moral composta de preceitos e conselhos: o Decálogo que se resume todo no Amor a Deus e ao próximo, e por conseguinte no culto divino e no respeito dos direitos do outro; o ensino elevado dos Profetas que, recordando sem cessar a Bondade, a Justiça, o Amor de Deus para com seu povo, o desvia do pecado e sobretudo das aberrações idolátricas, inculca-lhe a reverência e o amor a Deus, a justiça, a equidade, a bondade para com todos, sobretudo para com os mais frágeis e oprimidos;

os discretos conselhos dos Livros sapienciais que contêm por antecipação um tratado completo das virtudes cristãs; mas, acima de tudo, a admirável doutrina de Jesus, a síntese ascética condensada no Sermão da Montanha, a doutrina igualmente elevada que se encontra nos discursos transmitidos por São João e comentados nas suas Epístolas; a Teologia espiritual de São Paulo, riquíssima em sínteses dogmáticas e aplicações práticas. Ora todo o Novo Testamento é já um código de perfeição.

• Orações para nos alimentar a piedade e a vida interior. Existirão outras mais belas do que as que se encontram nos Salmos e que a Igreja julgou tão próprias para glorificar a Deus e nos santificar que as trasladou para a sua Liturgia, para o Missal e para o Breviário? Há outras ainda que se encontram dispersas pelos Livros históricos ou sapienciais; mas sobretudo o Pai Nosso, a oração mais bela, mais simples, mais completa em sua brevidade que se poderá encontrar, oração sacerdotal de Nosso Senhor mesmo, sem falar das doxologias que se encontram já nas Epístolas de São Paulo e no Apocalipse.

• Exemplos que nos arrastam à prática da virtude. O Antigo Testamento faz desfilar diante de nós uma série de Patriarcas, Profetas e grandes homens e mulheres, os quais, sem deixarem de ter fraquezas humanas, obtiveram virtudes que foram celebradas por São Paulo e longamente descritas pelos Santos Padres, que as propõem para a nossa imitação. Com efeito, quem não admirará a piedade de Abel e de Henoc, a virtude sólida de Noé, praticando o bem no meio de uma geração corrompida, a fé e a confiança de Abraão, a castidade e a prudência de José, a coragem, a sabedoria e a constância de Moisés, a intrepidez, a piedade e a sabedoria de Davi, a vida austera dos Profetas, a bravura dos Macabeus, e tantos outros exemplos.

No Novo Testamento é, antes de tudo, Jesus Quem nos aparece como o protótipo ideal da santidade; depois, Maria e José, seus fiéis imitadores, os Apóstolos, que, de início imperfeitos, devotam-se de corpo e alma à pregação do Evangelho e à prática das virtudes, com tal perfeição que nos repetem tão ou mais eloquentemente pelos seus exemplos do que pelas suas palavras: se vários destes Santos tiveram as suas fraquezas, a maneira como as superaram realça muito mais o valor dos seus exemplos, mostrando-nos como podemos resgatar as nossas faltas pela penitência e, especialmente, pela conversão, isto é, pela mudança de vida.

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